quarta-feira, novembro 09, 2005

Carta aos amigos

Uma certa manhã, quando acordou de uma noite de sonhos angustiantes, T. deu por si transformada numa borboleta. Teve melhor sorte que Gregor* que acordou transformado num insecto medonho e que para esconder essa metamorfose maldita se fechou no seu quarto durante muito tempo, bom, o tempo que K. lhe permitiu.

Voltando à T., depois da surpresa, veio a alegria… tinha-se transformado numa borboleta de cores bonitas – não tinha começado por ser larva, nem passado pelo estado pouco interessante de caterpillar.

Olhou-se ao espelho e gostou logo de si. Tinha asas. Podia voar. Até podia começar a faltar à escola. Sim, porque ninguém gosta de meninos com asas dentro de uma sala de aula. Também com tantos jardins para visitar, que falta lhe ia fazer a escola? Enganou-se… Porque depois de muitos voos pelos jardins começou a sentir a falta das letras e foi por isso que se meteu pelos blogs para ler o que por lá se escrevia. Por onde andou deixou algumas marquinhas. Afeiçoou-se à blogosfera e até criou um sítio para poisar.

Mas muito pouco sossego teve. Os caçadores de borboletas armados de redes não a deixaram nunca dormir um sono tranquilo. Até que um dia lhe puseram a rede em cima e a pobre depois de muito lutar conseguiu escapar por um buraco maior da rede (há sempre um buraco maior por aí…).

Foi então que ousou olhar o céu que estava mais longe e decidiu que tinha que voar mais alto. Também tinha mais olhos que asas… Mas uma borboleta não consegue voar tão alto, teve que se pendurar num fio (desses das comunicações).

Não se sabe ao certo, mas foi talvez devido a um choque tecnológico, transformou-se num fio invisível... Aceitou bem o novo estado, pois por-um-fio até achava que podia ser mais comunicativa (ou interactiva) e se fosse «invisível» também a podiam deixar mais sossegada.

Mas quando alguns amigos «a viram» apesar de invisível, e até quando a Matilde B., ontem, lhe chamou borboleta e lhe disse «Voa, voa Borboleta», a borboleta estremeceu toda dentro do fio (até as anteninhas vibraram...) e sentiu que a sua alma era ainda a dessa borboleta…

Confesso, pois, que já fui e continuo a ser a borboleta, apesar de o ser agora «por-um-fio».

Parece um conto de K*, mas não é! Ah! e a Poppy ?)
(isto promete continuação... )

P.S. Não se pode ter segredos, nem na blogosfera!

3 comentários:

Mendes Ferreira disse...

Mentira....por um fio....tens todo o segredo...nós só invadimos a fímbria do casulo....bjs.

Carlos disse...

... por-um-fio que me roçou no nariz, ouvi a citara e quase voei!
... só depois de muito esforço, que não tenho asas, me lembrei!


xi

C.S.A. disse...

Pois fico à espera dos próximos episódios.