quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Quando partilhamos os nossos gostos ...

Não há dúvida que, quando partilhamos os nossos gostos com os nossos amigos, mesmo que, neste caso, virtuais, nos sentimos bem. Temos vontade de trazer para os nossos blogues as coisas de que mais gostamos e mostrá-las. Esforçamo-nos na maior parte das vezes para que os nossos amigos adiram aos nossos gostos e partilhem as mesmas emoções.. Por isso, às vezes os comentários são estimulantes!

Estou a ler agora um texto de José Gil, que achei muito giro a propósito da vontade que temos de partilhar os nossos gostos, querendo-os universalmente aceites, e a certa altura, referindo-se a Kant, dizia: «Sabe-se que, para Kant, o juízo do gosto tem uma pretensão legítima à universalidade. Se bem que tal juízo - «este objecto é belo» não seja susceptível de argumentação conceptual, é possível discutir sobre o valor da obra de arte, porque a emoção (a sensação) estética é comunicável, adquirindo uma legítima pretensão ao assentimento de todos. De onde vem a legitimidade da pretensão do juízo de gosto de valer universalmente? Do senso comum...
Quer isto dizer que, para Kant, a relação entre o contemplador e a obra nunca é uma relação dual fechada; mas supõe sempre já um outro, dois, n outros, todos os outros possíveis. Se o prazer do belo é imediatamente comunicável é porque o outro - o outro transcendental, não empírico -, estando já em mim (antes mesmo de eu comunicar empiricamente com um outro qualquer), sinto o apelo imediato à comunicação; e a comunicação (com um outro transcendental) é desejo à universalidade. É esse julgar o belo na comunicação com todos que faz com que eu deseje imediatamente comunicar o meu prazer aos outros e pretenda obter a sua adesão.»

É um pouco isto que andamos aqui a fazer, não é? Falo por mim, e pelo prazer que tenho em partilhar com os outros aquilo de que mais gosto ...

3 comentários:

Joaquim Silva disse...

Mesmo que não concordasse com o que escreve , sentia-me na obrigação de colocar um comentário só para satisfazer esse seu desejo de "feedback",no fundo um "apelo à comunicação" . Este fenómeno dos Blogues são paradoxais no sentido em que sendo pessoais e privados não deveriam gerar-nos essa expectativa do comentário ou da aprovação com o que escrevemos.
Provavelmente será o nosso lado narcisista a emergir ou mesmo um sentimento instintivo de socialização.

Jorge disse...

estive por aqui, mas tão em baixo que não consigo artilhar o mais breve dos comentários.
Prometo voltar assim que o anti-depressivo começar a dar efeito.
Um bj.

FOTOESCRITA disse...

Também tenho essa necessidade de partilha. É um gosto.
M