quarta-feira, março 08, 2006

Eça na Praça do Comércio...



... - Pouh! - fez Nazareno com nojo. - Que sociedade, que asco! Não, realmente, o Matias tem razão, é humilhante lutar contra uma tal sociedade! A luta supõe forças que se encontram; mas assim, temos de um lado a força, do outro a pústula! Pouh! Portugal não deve ser reformado, como diz o Damião, deve ser queimado a nitrato de prata!...
Estavam no Terreiro do Paço: uma lua lívida deixava cair de entre as nuvens uma mancha luminosa sobre a água sombria.
- Tudo isto precisa ser arrasado! - disse ainda Nazareno, mostrando em redor as Secretarias negras, de uma uniformidade enfática. Tinha parado e olhava, apertando com cólera o cabo do guarda-chuva, toda aquela reunião de edifícios oficiais, como a pesada e antiquada personificação de regimes funestos - o Banco e o seu ágio, a Alfândega e os seus direitos, os Ministérios e o seu burocratismo - ...

(A Capital)

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