segunda-feira, março 13, 2006

Hoje ainda não encontrei sinais do Ramalhete…

Naturalmente que não vou desistir à primeira tentativa de o encontrar. Devo reconhecer que a minha maior dificuldade se deveu ao facto de as fontes de informação em que me baseei serem pouco precisas e até contraditórias. Depois perdi-me em Alcântara e decidi vir confrontar os documentos que me tinham inspirado e confirmar as contradições que a mim me pareciam demasiado evidentes.

Ora vejamos, numa obra encontro a seguinte descrição:

«Quanto ao Ramalhete, sabemos que ficava às Janelas Verdes, cerca da Rua de S. Francisco de Paula, hoje Rua Presidente Arriaga, embora se atribua ao solar do conde de Sabugosa, em Santo Amaro, a sua fonte de inspiração. Eça conhecia bem essa casa, que pertencia a um dos «Vencidos da Vida» e onde várias características exteriores se conjugam, desde logo, com a casa do Maias: a marcada severidade da fachada, a fila de pequenas janelas abrigadas sob o beirado e até a sua localização relativamente ao rio Tejo».

Há aqui uma contradição com uma fotografia que consta na mesma obra que mostra o Ramalhete quase debaixo dos pilares da Ponte 25 de Abril, coincidindo quase com a Calçada da Tapada. Ora, a Rua Presidente Arriaga fica mesmo às Janelas Verdes (começa a seguir ao Museu de Arte Antiga) e termina na Rua do Sacramento, muito antes dos ditos pilares da ponte.

Na Rua Presidente Arriaga não havia vestígios de qualquer casa que se assemelhasse ao «Ramalhete»… Percorria-a várias vezes. Caminhei até à Calçada da Tapada, em Alcântara, olhando para todos os lados na ânsia de encontrar o Ramalhete… e nada! Devo ter estado muito próximo desse solar do Conde Sabugosa (presumo que na Rua da Junqueira) e não o vi ou o mesmo já foi demolido. Bom, só me falta esta última tentativa.

Concluo (com alguma insegurança) que a fotografia que tenho na minha posse é do tal solar do Conde de Sabugosa, em que Eça se inspirou para descrever o «Ramalhete» dos «Maias».

Portanto, um dia destes lá irei outra vez para aquela zona para ver se encontro vestígios do tal solar.

Agradeço os incitamentos e a tentativa de ajuda de alguns amigos.

2 comentários:

FOTOESCRITA disse...

Se o solar do conde de Sabugosa a que te referes é o que penso ser, ele fica junto da estação de eléctricos de Santo Amaro, que também contém o Museu do Eléctrico (a visitar). A estação fica ao fundo da rua Luís de Camões. A casa dos condes de Sabugosa é do lado esquerdo da estação, numa rua de que não me lembro o nome. Era cor de rosa no tempo em que eu ia a pé para liceu (agora D. Amélia, no meu tempo D. Leonor), desde a rua dos Lusíadas, onde vivia. O liceu fica na rua da Junqueira, não muito longe, portanto. Na calçada da Tapada nunca ouvi que houvesse algum solar desta família.

T. disse...

Pois, estas são as hipóteses que vou explorar da próxima vez que lá puder ir.