quinta-feira, março 23, 2006

Mas, às vezes, Eça descrevia assim Lisboa....



(transversal da Calçada do Combro)

Eça lamentava o prosaísmo de Lisboa: «Sente-se abundante, gorda, coberta de luz. (…) As casas, sem luz, têm o aspecto calmo e sinistro dos rostos idiotas.»
E num artigo que escrevera para a Gazeta de Portugal terminava em tom miserabilista: «Que fazem entretanto os errantes da noite? (…) Compram, na penumbra doméstica, o amor fulginoso das cozinheiras, comem melancolicamente, mexilhões nas tabernas; os mais pobres encostam-se às esquinas, esfarrapados e doentes, cariátides sonolentas do tédio.»

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