sexta-feira, março 17, 2006




Nada escapa à penetrante atenção da análise de Eça. Também o clima tórrido da capital, no Verão, lhe propicia descrições frequentes do torpor e do tédio característicos da paisagem humana lisboeta de então, como, por exemplo, neste passo d'O Crime do Padre Amaro: «À noitinha saía a dar duas voltas no Rossio. Abafava-se, no ar pesado e imóvel: a todos os cantos se apregoava monotanamente água fresca! Pelos bancos, debaixo das árvores, vadios remendados dormitavam; em redor da praça, sem cessar, caleches de aluguel vazias rodavam vagarosamente; as claridades dos cafés reluziam; e gente encalmada, sem destino, movia bocejando, a sua preguiça pelo passeio das ruas.»

3 comentários:

greentea disse...

quando era miuda só se faziam comprars na baixa, no rossio, no chiado...
a minha avó mandava-nos por vezes às compras : uma linha que lhe faltava, um pano , botões ... e lá ia eu e a m/ irmã a pé até à rua da conceição que naquela altura andava-se assim, sem perigo, sem telemóveis a tocar a toda a hora.
e viamos as montras, habituávamo-nos a comprar, a pagar, a conferir o troco...
na volta para cima, vinhamos no eléctrico até ao Campo de Santana.
Isto ocupava uma manhã ou tarde inteira.
Lembro-me que as vezes vinha com a minha Avó à baixa, ao Montepio onde ela recebia uma qualquer pensão. Tirava-se uma chapa metálica e mais tarde o caixa chamava e como a m/ Avó já estava surda por isso não ouvia e nisto tb se passava uma manhã...

Antonio Stein disse...

Pelas excelentes deambulações por Lisboa na companhia de Eça, aí vai o meu incentivo...

Um beijo

Mendes Ferreira disse...

não sei como é possível "pintar" assim....obrigado T.
por tanta magia.