quarta-feira, março 22, 2006

O primeiro passeio de Eça pela cidade...


O primeiro passeio de Eça pela cidade fascinou-o. Parava, olhando as vitrinas das lojas; seguia com os olhos as carruagens de criados perfilados; admirava a vastidão das ruas, a multidão sussurrante.
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Ramalho Ortigão falará da atracção, quase hipnótica, que Eça sempre sentiu pela cidade: «Lisboa foi desde então o seu laboratório de arte, o seu material de estudo, a sua preocupação de crítico, o seu mundo de escritor, o seu romance - iria dizer o seu vício - a sua fatalidade, o seu destino. E pela razão de que se profundamente se ama tudo o que profundamentamente se estuda, pouco a pouco se tornou ele próprio enraizadamente lisboeta, lisboeta até às mais íntimas moléculas do seu organismo, até às mais profundas criptas da sua alma». Nenhuma outra cidade, e viveria em muitas, marcou Eça tanto quanto Lisboa. Quando foi para Inglaterra, bastava-lhe fechar as portadas das janelas, que davam sobre os prados de Bristol, e Lisboa lá estava, com as suas casas apalaçadas e as suas tabernas, os seus pregões e os seus jardins públicos, as suas hortas e as suas praças, os seus teatros e as suas missas.

Eça de Queirós / Filomena Mónica. - Lisboa: Quetzal Editores, 2001.

2 comentários:

greentea disse...

por isso Eça fala das portadas que se fecham trazendo a treva...

Mendes Ferreira disse...

só não gosto da F.M. de resto já nem sei o que dizer.....os teus olhos passeiam-me....e abrem-me outro olhar....o fascínio.




bjo.