quinta-feira, março 16, 2006

Pormenor da Rua da Conceição



Subindo até ao Largo das Belas Artes e ao Grémio Literário...

Eça tinha um perfeito conhecimento da cidade. «Como revela Ramalho Ortigão, Eça gostava de Lisboa como cenário urbano, ainda que a sua gente lhe merecesse críticas demolidoras. Di-lo-ia expressamente, repetidas vezes, na ficção e em cartas íntimas. Pela Pena de Fradique, deste modo: «Lisboa só lhe agradava - como paisagem. Com três fortes retoques (escrevia-me em 1881, do Hotel Braganza) com arvoredo e pinheiros mansos plantados nas colinas culvas da Outra-Banda; com azulejos lustrosos e alegres revestindo as fachadas sujas do casario; com uma varredela definitiva por essas benditas ruas - Lisboa seria uma dessas belezas da Natureza criadas pelo Homem, que se tornam um motivo de sonho, de arte e de peregrinação.»

8 comentários:

greentea disse...

a rua da conceição ´´e lindissima na sua forma "ollfashion", nas retrosarias onde (jÁ ? ) se não vai, nos carris do 28, nos prédios a desfazerem-se da pintura e das janelas , nas curvas ingremes e apertadas qd perde o nome para atingir o Chiado

FOTOESCRITA disse...

Uma curiosidade a propósito da tua fotografia: Os meus avós maternos, que casaram em 1888 e que nunca conheci porque morreram muito cedo, deixando os 6 filhos pequenos, viveram na casa onde é agora (ainda é?) o restaurante Tágide. Dizia a minha mãe. E por acaso estive lá há uns 30 anos no casamento de um dos netos deles (como é este mundo!) e pensei como teria sido a casa. As voltas que o mundo dá. Quando lá viveram tinham uma vida relativamente folgada, depois, com as doenças que lhes bateram à porta, ficaram em situação aflitiva. Impressiona.

FOTOESCRITA disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
FOTOESCRITA disse...

Deixei o comentário anterior (por favor apaga o duplicado...) por achar curioso como o tempo é tão longínquo e ao mesmo tempo tão próximo de nós. Se eu pensar em 1888, acho uma lonjura, uma coisa estranhíssima, quase sem corpo, algo que me foge do entendimento, como fazendo parte de um mundo de outros seres. Se penso nos meus avós, se leio os textos, neste caso do Eça, se os associo aos lugares das fotografias, a coisa torna-se mais palpável para mim e já me parece mais próxima da minha realidade humana. Tem corpo, tem semelhanças com a minha existência humana, apesar das diferenças de hábitos, de trajes, de ideias. Percebes o que quero dizer? É que isto é uma sensação espantosa. Será que sou levada a sentir assim porque não conheci as pessoas em causa? Será que o facto de me terem sido "apresentados" desde que me conheço, e com todas as reacções habituais na cabeça e no sentir das crianças, apenas e porque através dos olhos da minha mãe, me terá levado a sentir assim?

IsaMar disse...

fiquei rendida às tuas fotos de lisboa

T. disse...

Curioso o teu comentário!
Acho que percebo o que tu queres dizer.
Se compararmos a ficção de Eça, as suas descrições, as suas personagens, os diálogos e os dramas pessoais destes, com a actualidade ficamos espantados porque não encontramos muita diferença. Até diria que em algumas situações a semelhança é espantosa! A essência é a mesma, continua viva, o cenário é o mesmo, os problemas que atormentam a humanidade são essencialmente os mesmos (porque o que verdadeiramente atormenta a humanidade é o seu próprio umbigo e uma zona à volta e um pouco mais abaixo) e os diálogos são, por isso, são tão actuais! Mas afinal, o que é que mudou? Bom, para além dos grandes e verdadeiros problemas que a humanidade enfrenta, é como se nem existissem, porque a nossa falta de respeito por eles é total e absoluta, ouvimos falar deles e toda a gente «desliga». O que mudou verdadeiramente foram os hábitos e a terminologia.
Vamos menos para o «Passeio Público» e vamos mais para o «Shopping». Vamos menos para o Café fazer tertúlia e vamos mais estupidificar para a frente dum caixote chamado TV. Não escrevemos a carta e não vamos ao marco do correio, mas mandamos o email...
Mas, a retrosaria ainda lá está...
Está é com a montra cheia de pó, porque os poucos «carrinhos de linhas» vendidos já não chega para pagar a limpeza, porque nós vamos agora ao Shopping comprá-los.
Mas, se andares a pé por Lisboa, rua após rua, ficas espantada com o que encontras e não te será difícil reconstituir muitas das cenas lidas no Eça.
Lisboa é uma cidade com muitas histórias,e por isso é que eu gosto de viver nas zonas antigas...

greentea disse...

é tb por isso q gosto de viver em Sintra, porque já vivi muitos anos em Lisboa e a minha avó morava no Campo de Santana; a outra morava em Arroios mas as lembranças daí são poucas.
De facto o que me espanta é a actualidade das conversas , das descrições, dos lugares que Eça fala e tenho achado delicioso fazer essa ligação, reencontrar esse paralelismo. Ontem ao jantar estávamos a falar disto e a m/ filha a dizer q Eça é uma seca e nós a tentar fazer q não, q Eça é esta maravilha...
Para o fim de semana temos "Arroz de Favas" à moda de Tormes...com vinho da região e leite creme

T. disse...

Ai! "Arroz de Favas" à moda de Tormes...com vinho da região e leite creme! Meu Deus, mas que inveja me fazes...
Hás-de explicar-me como se faz esse arroz de favas, que eu adoro favas...
Beijo