domingo, março 05, 2006

A propósito dos percursos de Eça...

Recebi um comentário curioso (muito incentivador) de um blog de muito bom gosto, que de vez em quando me visita, Diafragma, que tem em comum comigo a paixão pela fotografia.

Devo dizer que esta ideia dos percursos de Eça foi apenas um pretexto para tirar mais fotografias a Lisboa, cidade onde nasci, onde vivo actualmente e com a qual partilho uma total cumplicidade. Peço-lhe todos os dias perdão por a ter abandonado durante tantos anos. Gosto do seu céu muito azul e luminoso, das suas colinas, do seu casario velho, dos jardins maravilhosos e do seu rio triste, como Fernando Namora lhe chama.

Estes «percursos» permitem que eu alie duas coisas de que gosto muito, a literatura e a fotografia e, por isso, estes passeios estão a dar-me muito gozo.

Cito, mesmo a propósito:

«... A geografia dos romances de Eça de Queiroz revela-se tão sugestiva quanto a fisionomia e a psicologia das suas personagens. Há tanto carácter próprio e tanta vida independente em alguns ambientes físicos desses romances e novelas - e não falo, propriamente, de paisagens, que na intenção dos escritores colocam, às vezes, no plano alto e maior de muitas cenas - quanto nas figuras humanas que neles habitam, transitam e se movimentam, como em seu pequeno e correspondente universo...

Álvaro Lins
História Literária de Eça de Queiroz

ou ainda...

Faire mouvoir des personnages réels dans un milieu réel, donner au lecteur un lambeau de la vie humaine, tout le roman naturaliste est là.

Emile Zola, Du Roman»

E ainda e, muito a propósito, sugiro a visita a Soledade, que apresenta um texto muito interessante sobre o papel que poderia desempenhar a grande Literatura na formação dos seres humanos, mas tão crítico, que inviabiliza de todo o subsídio que Diafragma gostaria de me conceder...

Mesmo assim, agradeço...

E sem esperança de qualquer subsídio, vou continuar pelo simples gozo que a fotografia e a literatura me proporcionam!


2 comentários:

soledade disse...

T, há cerca de um mês, fiz este percurso queirosiano, a propósito d'Os Maias, com a derradeira turma de Humanidades que terei. Estava um dia lindo, bom para derradeiras gestos derradeiros, e esse ar luminoso e macio que Eça tantas vezes evoca e que as suas fotografias captam de uma forma admirável. Foi por isso um duplo prazer deparar-me com o "Por um fio". Aplaudo a distinção que o "Diafragma" propõe. Se não se importa, passa a incluir os meus recursos pedagógicos:) Indicarei o seu blogue aos meus alunos: Lisboa de Eça e Pessoa no fascínio de um olhar-poeta.
Obrigada. Pela força em tempos de desânimo.

relampago disse...

T...o Diafragma tem tb mt bom gosto....e quando se fotografa como tu....


sublime.

bjo de boa noite....uff.