domingo, abril 02, 2006

Eça e os seus amigos...



(Fachada principal do Grémio Literário)

Preenchiam o tempo namorando no Passeio Público ou no Jardim de São Pedro de Alcântara, patuscavam com os amigos, frequentavam todos os espectáculos lisboetas - principalmente o S. Carlos, com as suas óperas italianas - e devoravam obras literárias e científicas, as leituras comuns à sua geração: Victor Hugo, Lamartine, Musset, Nerval, Baudelaire, Poe, Michelet, Renan, Quinet, Vacherot, Cournot, George Sand, Zola, Carlyle, Flaubert, Proudhon...

Mas como é que estes jovens que viviam de escassas mesadas paternas tinham capacidade financeira para adquirir obras, principalmente as estrangeiras, muito acima das suas posses? Um dos processos comprovado pela correspondência era o empréstimo entre si. Havia sempre um mais abonado que comprava os livros que percorriam, depois, a via sacra dos interessados. Outra fonte muito utilizada era o Grémio Literário, já nesta época com uma bela biblioteca e revistas estrangeiras literárias e científicas.

Jaime Batalha Reis, o amigo inseparável de Eça, diz constantemente nas cartas de namoro: «[...] tenho estado no Grémio a ler
O Homem que Ri e uns artigos na revista germânica sobre a economia rural da Alemanha...


6 comentários:

FOTOESCRITA disse...

Bom dia!
Lisboa continua apetecível vista pelos teus olhos e palavras. E já que estamos no Grémio Literário, digo-te que gostava que me desses umas pistas em relação ao Ian McEwan de que me falaste no Palavra Puxa Palavra.
E agora vou até ao Jardim da Estrela, pode ser que haja por lá mais alguma flor para cheirar...

greentea disse...

Jacinto também cedo começou a ler Balzac e Musset, conforme reza a história...

De facto , Eça descreve ambientes ricos e convivios de gente afortunada, como se não trabalhassem, vivendo apenas de "pequenas" mesadas concedidads por tios ou avôs ricos...
Seria assim?
As novelas de hoje também reflectem essa realidade - todos são ricos, todos têm boas casas, arranjando bons empregos com facilidade. Será?

Mendes Ferreira disse...

onde a falta de criatividade????


só se for a minha....:) é a minha...

até logo.

greentea disse...

copiei um blog com um tema importante. se puderes vai lá.
beijinhos
boa noite

T. disse...

Greentea:
Pois é, tens razão, neste ambiente «forjado» de ficção, as coisas ou as fortunas parecem ser mais frequentes e abundantes, também porque é mais fácil «criá-las»...
Os meninos têm todos as suas mesadas para estudar e fazem as suas patuscadas às vezes até uma idade bastante avançada.
Abundam as fortunas como a do papá da Monforte (Os Maias)que, depois é esbanjada pela filha em viagens, roupas e todas as excentricidades que o dinheiro permitia. Também abundam as condessas... algumas matam porque estão muito apaixonadas (O mistério da estrada de Sintra).
Mas na ficção de Eça aparece como contraponto gente de trabalho que ganha a vida a pulso como é o caso do Vilaça n'Os Maias.
Embora, curiosamente, Eça nunca dê às suas personagens principais grandes carácteres. São normalmente pessoas fracas, desprovidas de grande vontade.
Mas no caso das novelas, acho que é um caso para esquecer, televisão é para vender, para ganhar audiências, quanto mais cor de rosa... mais vende!
:)
Bj e uma boa noite

Isabel José António disse...

Querida T,

Este blog continua tão espectacular e profundo como das outras vezes que o visitei! E sempre com duas temáticas que eu tanto AMO: Lisboa e EÇA!!!

Obrigada por nos brindar com tanta beleza e cultura...

Isabel