sexta-feira, abril 21, 2006



«Eram duas horas quando os dois amigos saíram enfim do hotel, a fazer esse passeio a Seteais - que desde Lisboa tentava tanto o maestro (Cruges).
...
Parara diante da grade donde se domina o vale. E dali olhava, enlevadamente, a rica vastidão de arvoredo cerrado, a que só se vêem os cimos redondos, vestindo um declive da serra como um musgo veste um muro, e tendo àquela distância, no brilho da luz, a suavidade macia de um grande musgo escuro. E nesta espessura verde-negra havia uma frontaria de casa que o interessava, branquejando, afogada entre a folhagem, com um ar de nobre repouso, debaixo de sombras seculares... Um momento teve uma ideia de artista: desejou habitá-la com uma mulher, um piano e um cão terra-nova.
Mas o que o encantava era o ar. Abria os braços, respirava a tragos deliciosos:
- Que ar! Isto dá saúde, menino! Isto faz reviver!
...
- Sintra não são pedras velhas, nem coisas góticas...
Sintra é isto, uma pouca de água, um bocado de musgo... Isto é um paraíso!...»

(Os Maias)

1 comentário:

FOTOESCRITA disse...

Este é musgo verdadeiro com sardaniscas de verdade...
Belíssimo passeio o que deste, de braço dado com esses amigos encadernados! Ou levaste-os debaixo do braço? ;-)