sábado, abril 22, 2006


(Nas traseiras do Palácio de Seteais)


«Para onde vão vocês com essas flores nas lapelas?
- A Seteais... vou mostrar Seteais ao maestro.
Então também ele (Alencar) voltava a Seteais! Não tinha nada que fazer senão sorver bom ar, e clamar... Toda a manhã andara ali, vagamente, pendurando sonhos nos ramos das árvores.
Mas agora já não os largava; era mesmo um dever ir ele próprio fazer ao maestro as honras de Seteais...
- Que aquilo é sítio muito meu, filhos! Não há ali árvore que não me conheça... Eu não vos quero começar já a impingir versos mas enfim, mas vocês lembram-se de uma coisa que eu fiz a Seteais e de que por aí se gostou...

Quantos luares eu lá vi?
Que doces manhãs d'Abril?
E os ais que soltei ali
Não foram sete mas mil!

Pois então já vocês vêem, rapazes, que tenho razão para conhecer Seteais...
O poeta lançou no ar um vago suspiro, e durante um instante caminharam todos calados.»

(Os Maias)




(No Arco do Palácio de Seteais)



(Jardim do Palácio de Seteais e o Palácio da Pena no cimo da Serra)

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