terça-feira, julho 25, 2006


(Jardim da Estrela)

Busco-me e não me encontro. Pertenço a horas crisântemos, nítidas em alongamentos de jarros. Deus fez da minha alma uma coisa decorativa.
Não sei que detalhes demasiadamente pomposos e escolhidos definem o feitio do meu espírito. O meu amor ao ornamental é, sem dúvida, porque sinto nele qualquer coisa de idêntico à substância da minha alma.


(Livro do Desassossego: Composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa / Fernando Pessoa)


(Jardim da Estrela)

Se quiser passear por outros jardins ...

4 comentários:

Leticia Gabian disse...

Este "Desassossego" é leitura fundamental, pelo menos pra mim. Tudo é sorvido e absorvido tão naturalmente que parece já ter nos sido lido em um período ancestral, remoto.
As fotos são super lindas.
Abração

greentea disse...

de cada vez que se lê , lê-se de forma diferente
os jardins são outros, diferentes os percursos ,a estação do ano , o tom do céu

ou o modo de quem lê.

FOTOESCRITA disse...

Muito gosto eu das tuas flores brancas. Contêm nelas a inocência da vida.

T. disse...

Greentea:
E até nós mesmos vamos mudando...