segunda-feira, julho 24, 2006



(Junto ao Terreiro do Paço)


«Passo horas, às vezes, no Terreiro do Paço, à beira do rio, meditando em vão. A minha impaciência constantemente me quer arrancar desse sossego, e a minha inércia constantemente me detém nele. Medito, então, em uma modorra de físico,que se parece com a volúpia apenas como o sussurro de vento lembra vozes, na eterna insaciabilidade dos meus desejos vagos, na perene instabilidade das minhas ânsias impossíveis.

O cais, a tarde, a maresia entram todos, e entram juntos, na composição da minha angústia.»
...


(Livro do Desassossego: Composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa / Fernando Pessoa)

3 comentários:

Choninha disse...

"(...) ouço o tempo cair gota a gota (...)"

Linquei-te, hoje, no meu "Manuel". Não é justo para quem goste do "Livro", não ler estes postes.

Tudo de bom para ti. Bem hajas!

greentea disse...

bom dia de jardinagem hoje, sem passeios de eléctrico que os bilhetes estão caros e o fim do mês não está à vista...

Será que Pessoa recebia antecip+adamente, na ´´epoca haveria férias, horas extrordinárias, reforma, subsidio de desemprego, trabalho feminino?...

andei à procura de uma foto do Jardim do Torel mas não consegui encontrá-la - fica para a próxima.


Beijinhos

ruth iara disse...

Maravilhoso texto!
Lindo blog!
Faço muito gosto em iniciamos nosso contato web.

Beijos! Tudo de bom!