sexta-feira, julho 28, 2006



Não sei quantos terão contemplado, com o olhar que merece, uma rua deserta com gente nela. Já este modo de dizer parece querer dizer qualquer coisa, e efectivamente a quer dizer. Uma rua deserta não é uma rua onde não passa ninguém, mas uma rua onde os que passam, passam nela como se fosse deserta. Não há dificuldade em compreender isto desde que se o tenha visto: uma zebra é impossível para quem não conheça mais que um burro.


(Livro do Desassossego: Composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa / Fernando Pessoa)




6 comentários:

Sandra Figueiras disse...

Olá T!
É sempre um prazer passar por aqui.
Um beijo

greentea disse...

E EU ESTIVE QUASE QUASE A PÔR A FOTO DE CIMA ...

BEIJINHOS DE ILHAS DE SUL E PAIXÕES ESCALDANTES /TROPICAIS...

Lâmina d'Água, Silêncio & Escriba disse...

É muito bom poder ver e rever Lisboa e Portugal, através de outros olhos...

E foi desse modo que eu me surpreendi amando muito esse país... Muito além do que eu imagina. Sabia que gostva, mas não imaginava quanto.

Gostei do teu espaço.

Um lindo final de semana pra ti!!!
Com 1 beijo,
Cris

Leticia Gabian disse...

São tantas as ruas desertas por onde passo! Passo por elas e nem me dou conta do tão desertas pra mim elas são.

Abração pra você

Siddharta disse...

o pensamento deste Post deixou-me completamente desassossegado a reflectir.
Nunca tinha pensado nisso

Choninha disse...

"Uma rua deserta não é uma rua onde não passa ninguém, mas uma rua onde os que passam, passam nela como se fosse deserta."

É isto que gosto em BS/FP: a forma lúcida como olha a realidade... a sua forma de sentir as coisas...

Já passei em ruas desertas ao lado de outros que passavam de burro e sonhavam com zebras...