segunda-feira, julho 10, 2006



(Rua do Alecrim)

«Devaneio entre Cascais e Lisboa. Fui pagar a Cascais uma contribuição do patrão Vasques, de uma casa que tem no Estoril. Gozei antecipadamente o prazer de ir, uma hora para lá, uma hora para cá, vendo os aspectos sempre vários do grande rio e da sua foz atlântica. Na verdade, ao ir, perdi-me em meditações abstractas, vendo sem ver as paisagens aquáticas que me alegrava ir ver, e ao voltar perdi-me na fixação destas sensações. Não seria capaz de descrever o mais pequeno pormenor da viagem, o mais pequeno trecho de visível. Lucrei estas páginas, por olvido e contradição. Não sei se isso é melhor ou pior do que o contrário, que também não sei o que é.

O comboio abranda, é o Cais do Sodré. Cheguei a Lisboa, mas não a uma conclusão.»


(Livro do Desassossego: Composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa / Fernando Pessoa)





(Praça do Duque da Terceira)

5 comentários:

hfm disse...

elíssimas fotografias!

Su disse...

as fotos são belissimasmas os excertos por ti escolhidos são magnificos...
jocas maradas de palavras

Teresa David disse...

e lá continuas a peregrinação entre as imagens bem captadas e as palavras nobres do Eça. E continua que vais bem no caminho...!!
Beijos
Teresa David

bettips disse...

Lindo, ver Lisboa assim e quase senti-la igual e maravilhosa, como as palavras e o tempo do escritor. Como seria esse homem oblíquo na Lisboa daquele tempo? Ou tudo viveria na sua imaginação? Vamos vendo/lendo.

Freyja disse...

que imagenes mas bellas
si esta es Lisboa...es maravillosa
sueño perderme en sus calles...encontrando versos de Pessoa, aunque lea sus versos en libros
hermoso, un abrazo
vengo de donde Greentea



besos y sueños