domingo, julho 16, 2006



(Subindo até ao Miradouro de Sta. Catarina)

«Tornamo-nos esfinges, ainda que falsas, até chegarmos ao ponto de já não sabermos quem somos. Porque, de resto, nós o que somos é esfinges falsas e não sabemos o que somos realmente. O único modo de estarmos de acordo com a vida é estarmos em desacordo com nós próprios. O absurdo é o divino.
Estabelecer teorias, pensando-as paciente e honestamente, só para depois agirmos contra elas - agirmos e justificar as nossas acções com teorias que as condenam.Talhar um caminho na vida, e em seguida agir contrariamente a seguir por esse caminho. Ter todos os gestos e todas as atitudes de qualquer coisa que nem somos, nem pretendemos ser, nem pretendemos ser tomados como sendo.
Comprar livros para não os ler; ir a concertos nem para ouvir a música nem para ver quem lá está; dar longos passeios por estar farto de andar e ir passar dias no campo só porque o campo nos aborrece.»

(Livro do Desassossego: Composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa / Fernando Pessoa)

4 comentários:

FOTOESCRITA disse...

Bela a caminhada.

Teresa David disse...

Em frente ao Miradouro de Sta Luzia onde me quedei bastantes vezes a ver a paisagem, havia a tasca do Ti Aires, onde fiz mts anos atrás almoçaradas homéricas com colegas de trabalho, mts deles já falecidos mas que guardo na memória. Logo o Miradouro é local de recordações para mim.
Beijos
Teresa David

Choninha disse...

Boa semana e boas bloguices. O desassossego... Subindo...

greentea disse...

não tenho vindo aqui, faz tempo!!
há dias peguei no Livro do desassossego e fiz dois posts com ele;

hoje vinha aqui para te "roubar" uma foto da Rua Nova do Almada que sei que tens e fico espantada porque pelos vistos tb andas a reler e ilustrar o Livro do Desassossego...
ele há coincidencias...