segunda-feira, agosto 07, 2006



(Elevador de Sta. Justa, fotografia tirada no Largo de Stº António/Rua dos Douradores)

Mas, enfim, também há universo na Rua dos Douradores. Também aqui Deus concede que não falte o enigma de viver. E por isso, se são pobres, como a paisagem de carroças e caixotes, os sonhos que consigo extrair de entre as rodas e as tábuas, ainda assim são para mim o que tenho, e o que posso ter.

Alhures, sem dúvida, é que os poentes são. Mas até deste quarto andar sobre a cidade se pode pensar no infinito. Um infinito com armazém em baixo, é certo, mas com estrelas ao fim… É o que me ocorre, neste acabar de tarde, à janela alta, na insatisfação do burguês que não sou e na tristeza do poeta que nunca poderei ser.

(Livro do Desassossego: Composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa / Fernando Pessoa)




(Fachada da Antiga Casa Pessoa vista do Largo de Stº António/Rua dos Douradores)

7 comentários:

greentea disse...

sonhos podemos sempre tê-los.
por vezes iluminados por uma triste lua

um beijo para ti

FOTOESCRITA disse...

Tens razão: belíssimo este texto! A salvação possível em certos momentos, o segredo do nosso olhar.
Bjs

Leticia Gabian disse...

A nossa capacidade de transmutar a realidade é a mão amiga nessa vida tão cheia de acidentes transversais.

Mendes Ferreira disse...

elevo-me....atá aqui...:)



soberana "fazedora" de beleza.




beijos.


saudades.


parto.

Choninha disse...

"o enigma de viver"

A primeira fotografia está tão bonita!

hfm disse...

Continuam os passeios na cidade e nas palavras.

greentea disse...

PILAR SALA RECONFORTA FAZENDO RE-DESCOBRIR A CRIANÇA EM NÓS.VOU ESTAR FORA UNS DIAS. uM BEIJO PARA TI