domingo, agosto 13, 2006


(Encosta do Castelo)

«Alastra ante os meus olhos saudosos a cidade incerta e silente.
As casas desigualam-se num aglomerado retido, e o luar, com manchas de incerteza, estagna de madrepérola os solavancos mortos da profusão. Há telhados e sombras, janelas e idade média. Não há de que haver arredores. Pousa no que se vê um vislumbre de longínquo. Por sobre de onde vejo há ramos negros de árvores, e eu tenho o sono da cidade inteira no meu coração dissuadido. Lisboa ao luar e o meu cansaço de amanhã.
...
Nem brisa, nem gente interrompe o que não penso.»

(Livro do Desassossego: Composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa / Fernando Pessoa)

3 comentários:

FOTOESCRITA disse...

Este texto é lindíssimo! tem-se uma pressa de o ler, tal a comoção que provoca. Lindo! Fica-se sem fala.

Minda disse...

O testo de hoje, os anteriores e as fotos, então, nem se fala. Tudo por aqui é belo, encantandor, com um ambiente que nos faz querer ficar e continuar a ler e a ver até onde for possível, como se houvesse sempre algo mais a espreitar em cada clique, em cada link, em cada post. Parabéns.

Choninha disse...

Passei, de fugida... Estou a começar as férias. Mando-te e-mail em breve.

"manchas de incerteza", neste momento também me sinto assim.

A fotografia está um espanto, delineada pelo céu, a árvore e o edificio...