domingo, agosto 20, 2006



«Mesmo eu, o que sonha tanto, tenho intervalos em que o sonho me foge. Então as coisas aparecem-me nítidas. Esvai-se a névoa de que me cerco. E todas as arestas visíveis ferem a carne da minha alma. Todas as durezas olhadas me magoam o conhecê-las durezas. Todos os pesos visíveis de objectos me pesam por a alma dentro.

A minha vida é como se me batessem com ela.»


(Livro do Desassossego: Composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa / Fernando Pessoa)

2 comentários:

Teresa David disse...

Ao contrário do que costumo desta vez maximizo o texto em detrimento da imagem, pois ele é tão forte que se sobrepõem as palavras. Fortes e lindissímas.
Um beijo
Teresa David

FOTOESCRITA disse...

Ao menos que possas encontrar algum consolo nas palavras que vais lendo nesse livro belíssimo.
Acompanho-te na distância.
Um beijo.