segunda-feira, setembro 25, 2006



(Belém)

«Os sentimentos que mais doem, as emoções que mais pungem, são os que são absurdos - a ânsia de coisas impossíveis, precisamente porque são impossíveis, a saudade do que nunca houve, o desejo do que poderia ter sido, a mágoa de não ser outro, a insatisfação da existência do mundo. Todos estes meios tons da inconsciência da alma criam em nós uma paisagem dolorida, um eterno sol-pôr do que somos...



(Belém)

O sentirmo-nos é então um campo deserto a escurecer, triste de juncos ao pé de um rio sem barcos, negrejando claramente entre margens afastadas.»


(Livro do Desassossego: Composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa / Fernando Pessoa)

6 comentários:

merdinhas disse...

Negrejando...

Isabel Magalhães disse...

......... nos momentos de desassossego rumo à beira Tejo e deixo-me invadir pelas cores do rio.

um beijinho e um sorriso.

Teresa David disse...

Voltei Amiga! e vim aqui visitar-te para encontrar estas penumbras tão belas, e desta vez superlativar mais o texto do que as imagens, pois foi ele que mais me tocou.
Bjs
TD

ROADRUNNER disse...

Um farol junto à Torre de Belém?! É propositado ou nunca lá existiu?...

T. disse...

Ah este farol foi capturado pela minha câmara! E esta fotografia passou directamente da câmara para o blog, não passou pelo photoshop...
:)

ACP disse...

Palavras tão sábias.
Gostei deste catinho T., hei-de voltar com mais assiduidade :)