quinta-feira, setembro 28, 2006

Mãe d'Água das Amoreiras



(Mãe d'Água das Amoreiras)


Nunca pretendi ser senão um sonhador. A quem me falou de viver nunca prestei atenção. Pertenci sempre ao que não está onde estou e ao que nunca pude ser. Tudo o que não é meu, por baixo que seja, teve sempre poesia para mim. Nunca amei senão coisa nenhuma. Nunca desejei senão o que nem podia imaginar. À vida nunca pedi senão que passasse por mim sem que eu a sentisse. Do amor apenas exigi que nunca deixasse de ser um sonho longínquo.

Nas minhas próprias paisagens interiores, irreais todas elas, foi sempre o longínquo que me atraiu, e os aquedutos que se esfumavam - quase na distância das minhas paisagens sonhadas, tinham uma doçura de sonho em relação às outras partes da paisagem - uma doçura que fazia com que eu as pudesse amar.



(Livro do Desassossego: Composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa / Fernando Pessoa)




(Mãe d'Água das Amoreiras, Jardim das Amoreiras)

6 comentários:

FOTOESCRITA disse...

Que colecção, meu Deus! De fotografias e textos.

Mendes Ferreira disse...

a raiva que me dá não poder ser original e dizer:

isto está um horror!!!!

assim re.vulgarizo-me e re.insisto:


Isto é A Beleza....!!!!!

e claro refiro-me a Ti. ao teu olhar...


beijo.te.

Teresa David disse...

consegues dar pormenores de Lisboa que alguns até já me esquecera, desde que fui ao museu da Vieira da Silva que não passo na Mãe d'Agua e aqui ele aparece com um esplendor que nunca lhe tinha notado.
Bjs
TD

T. disse...

O Jardim das Amoreiras, apesar de pequenino, é dos jardins mais bonitos de Lisboa. Parece uma pintura naïve, tal como tentei capturar na segunda fotografia deste post.

merdinhas disse...

Mãe de Água.
Apeteceu-me ir passear por aí, já não vou há muito tempo.

ROADRUNNER disse...

Pelos vistos o desassossego continua a reinar por aqui... Sem comentários. Para ver e absorver!

P.S.: Visitei a tua colecção de fotos no Flickr conforme me indicaste. Estão fantásticas, todas elas. A tua sensibilidade é enorme. É realmente importante nos dias de hoje em que o materialismo se sobrepõe a tudo, encontrarmos alguém com a tua sensibilidade e dedicação que promove os nossos escritores, a nossa bela Lisboa (e não só...) e que abre os horizontes à imaginação e à criatividade. Parabéns!
A qualidade das fotos também é boa, todas digitais, segundo creio. (Já eu não posso dizer o mesmo das minhas, pois só aderi ao digital há cerca de 2 anos e por isso grande parte das fotos que publico não têm a qualidade desejável devido à digitalização que tive que fazer.)

Saudações!