quarta-feira, setembro 20, 2006



(Rua da Atalaia, Bairro Alto)

«Mas não há sossego - ah, nem o haverá nunca! - no fundo do meu coração, poço velho ao fim da quinta vendida, memória de infância fechada a pó no sótão da casa alheia. Não há sossego - e, ai de mim!, nem sequer há desejo de o ter...»

(Livro do Desassossego: Composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa / Fernando Pessoa)

9 comentários:

BÓLICE disse...

Com todo o devido respeito por ti e p'lo "livro do desassossego", eu me pernuncio. Acho que É uma valente seca ler o "tipo". Mas também isto É uma opinião de quem gosta muito pouco ou nada de ler! Eu atÉ consigo ser chato... e chato atÉ com uma barriga destas... mas tentei ler o livro e desatei a abrir a boca (sono) compulsivamente. Ora, o tipo atÉ pode ter imensas razões, mas bolas, eu não consegui! Peço desculpas!

JK e intÉ

=D

merdinhas disse...

Rua da Atalaia.
E sossego aparente.

T. disse...

Ao Bólice:
Tens todo o direito de exprimir aqui o que sentiste quando leste o «Livro do Desassossego», mesmo que isso possa parecer contra a corrente neste espaço.
Mas aqui há espaço suficiente para todas as opiniões e sensibilidades.
Gostaria apenas de deixar a seguinte mensagem. Eu gosto muito do «Livro do Desassossego». A primeira vez que o tentei ler (nos tempos do Liceu) gostei assim assim, mas abandonei a leitura a meio. Foi agora passados 30 anos que lhe voltei a pegar e a sentir um imenso prazer nesta leitura. Por isso, estou a usá-lo para ilustrar as minhas fotografias. Sobretudo, porque tal como o Eça de Queirós, também Fernando Pessoa gostava muito da cidade de Lisboa, citando-a recorrentemente na sua obra. No caso do Fernando Pessoa, estas citações encontram-se um pouco esbatidas ou escondidas no texto, mas nem por isso acho menos interessante...
Mas há muitos livros que escolho ler, que depois abandono, e que volto a retomar mais tarde com enorme prazer.
Eu diria que há leituras que precisam de um momento certo da nossa parte.
Poderia citar uma lista enorme de livros que abandonei e que mais tarde acabei por ler com imenso prazer.
O próprio Eça de Queirós (grande parte da sua obra) foi relido por mim três vezes em etapas diferentes da minha vida. Foi exactamente, entre 2004 e 2006, que o reli saboreando tudo como nunca! As frases, as críticas políticas e sociais, as descrições psicológicas das suas personagens, as descrições da cidade de Lisboa, etc. etc.
Com o Livro do Desassossego está a passar-se o mesmo. É como se algumas passagens deste livro estivessem a ser vividas ou sentidas por mim...
Acho-o magnífico!
Mas tu não tens que o achar magnífico, pelo menos agora, quem sabe, um dia...
:)

T. disse...

Ao merdinhas:
Sim, o sossego é aparente. Se entrássemos, sem avisar, no velho sótão de uma daquelas casas alheias, descobriríamos as memórias de infância «fechadas a pó» e alguém com vontade de lhes «remexer»…

BÓLICE disse...

Obrigado grande T. p'la tua atenção. Não sabia que merecia tanto uma resposta deste tamanho. E fora de brincadeiras (mas só agora), acho que um dia o vou ler... e agora a brincar a sério, digo-te que sou um pouco atrasado p'rá idade que tenho, mas também me estou a borrifar, porque no fundo eu quero É ser um puto p'ra poder "renar" eternamente. Seriamente faço um esforço para o não ser... o que É que se há-de fazer... É assim!

=D

Fica BEM

FOTOESCRITA disse...

Tens razão, T., há o momento certo para tudo. Só temos que deixar-nos ir.

Choninha disse...

Em Novembro de 1993 comprei "Mrs.Dalloway", da Virginia Woolf. Li. Só dez anos depois peguei nele e reli com avidez. Era o momento. Não gostei da primeira vez. Não estava "pronta" para o ler. Passei desatenta. O M.Cunningham (e foi por ele que voltei a pegar nesse livro), julgo que em "As Horas", escreve: "Precisas de lhe dar o livro da sua própria vida, o livro que o situe, o perfilhe, o arme para as mudanças", e quem ama os livros sabe do que se fala.


[O meu amigo Bólice "levou" com uma edição rafeira, cá de casa, do L.D., que nenhum presbita consegue ler.]


Boa noite T., estou "podre", vou para a caminha, não a do Minho, mas a cá de casa!

T. disse...

À Choninha:
Gostei muito de te «ler»...
Dorme bem!
Um beijo
T.

ROADRUNNER disse...

Rua da Atalaia... tanto havia por dizer...