quinta-feira, setembro 14, 2006

Sinfonia de uma noite inquieta



«Dormia tudo como se o universo fosse um erro; e o vento, flutuando incerto, era uma bandeira sem forma desfraldada... Esfarrapava-se coisa nenhuma no ar alto e forte, e os caixilhos das janelas sacudiam os vidros para que a extremidade se ouvisse. No fundo de tudo, a noite era o túmulo de Deus (a alma sofria com pena de Deus).

E, de repente - nova ordem das coisas universais agia sobre a cidade -, o vento assobiava no intervalo do vento, e havia uma noção dormida de muitas agitações na altura. Depois a noite fechava-se como um alçapão, e um grande sossego fazia vontade de ter estado a dormir.»


(Livro do Desassossego: Composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa / Fernando Pessoa)

8 comentários:

Sandra Figueiras disse...

Olá T.
Linda esta foto, e acompanhada por um texto maravilhoso, tal como todos o que escolhe para acompanharem as suas fotos.
Beijos

Sandra

merdinhas disse...

Sinfonias da noite. Desassossegos.

Isabel disse...

Que bom foi passar por aqui e reler um pouco do Livro do Desassossego", logo hoje que me sinto tão desassossegada.

Vou continuar a visita-lo, venha tambem fazer-me uma visita.

Isabel

Leticia Gabian disse...

Nem sempre o sono é o sossego da alma.
Beijo pra ti.

Mendes Ferreira disse...

obrigada. T.



______________________beijos. até amanhã.

vanessa disse...

olá.

sou brasileira e vou passar 15 dias em portugal durante o mês de janeiro. cheguei até o seu blog porque estou planejando essa viagem como uma pesquisa das paisagens e cidades usadas por eça de queiroz em sua obra.

no final das contas, você descobriu onde fica o ramalhete?

Choninha disse...

Vou levar-te comigo!

Obrigada T. pela sinfonia. E noites inquietas, quem as não tem?

Luis Eme disse...

"Por um Fio" é um grande apresentador de Lisboa, ilustrado com literatura da boa.
Parabéns.