terça-feira, outubro 17, 2006

Ainda seguindo os sonhos de Fernando Pessoa


(Academia das Ciências)

Ah, não há saudades mais dolorosas do que as das coisas que nunca foram! O que eu sinto quando penso no passado que tive no tempo real, quando choro sobre o cadáver da vida da minha infância ida... isso mesmo não atinge o fervor doloroso e trémulo com que choro sobre não serem reais as figuras humildes dos meus sonhos, as próprias figuras secundárias que me recordo de ter visto uma só vez, por acaso, na minha pseudovida, ao virar uma esquina da minha visionação, ao passar por um portão numa rua que subi e percorri por esse sonho fora.

(Livro do Desassossego: Composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa / Fernando Pessoa)

5 comentários:

merdinhas disse...

Quando chegares ao fim do livro sais de Lisboa?

T. disse...

Posso ter que «sair» de Lisboa mesmo antes de chegar ao fim do livro...
:(

Choninha disse...

Ah, os sonhos... do Fernando, do Mário, do José ou do João. Da Maria, da Cristina, da Paula, da..., todos sonhamos. Uns com o passado outros com o futuro.

Não perco muito tempo com o que nunca foi, involuntariamente leva-me o real demasiado tempo. Nem sempre concordo com o que escreveu Bernardo S. no L.D. mas continuo a gostar, muito muito muito, dele.


Já tinha saudades deste "de-sa-sso- sse-go", devo-te e-mail mas "nenhum olhar" me leva até à caixa... preguiça, sobretudo.

Bandida disse...

deslumbrada pela imagem de Pessoa em todas as esquinas!


sabe bem vê-lo.

_______

Beijo!

Teresa David disse...

O que se me destaca é o magnifico ferro forjado da porta. São uma beleza, esses ferros que se vão encontrando quando caminhamos por Lisboa antiga.
Bjs
TD