domingo, outubro 15, 2006

Tabacaria


(Fernando Pessoa na Brasileira, Chiado)


Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
Àparte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
De um quarto dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é

(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,

Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

...


(Fernando Pessoa)

8 comentários:

TMara disse...

e o homem k assim falou e escreveu nunca imaginou k no futuro ficaria a ser tanto para tanta gente e tão rodeado, apesar da frieza do bronze k o imortaliza aí, no Chiado.
E lê-lo é descer a sítios de nós mesmas/os onde, por vezes, não queremos ou não abemos ir.
Bjs.
Bom domingo.
Luz e paz

FOTOESCRITA disse...

Mas isto é uma beleza!

Leticia Gabian disse...

Pessoa é tanto pra mim e pra tantos mais! Imagine, uma cabeça como a dele pensar no vazio das coisas.... incoerência pura, charminho de poeta.
Beijo

Isabel Magalhães disse...

saudades da Brasileira do Chiado.

(tenho que vencer a inércia e voltar a Lisboa).





Deixo um abraço. :)

Isabel Magalhães disse...

saudades da Brasileira do Chiado.

(tenho que vencer a inércia e voltar a Lisboa).





Deixo um abraço. :)

merdinhas disse...

(E se soubessem quem é, o que saberiam?)

Choninha disse...

"Não posso querer ser nada."

Esta noite estas palavras sopram o meu desassossego. O que pesa também pode ser levado pelo vento. Os pensamentos, ai, esses malvados!

Artur disse...

Como sempre soube bem uma bica tomada mesmo ali ao lado da estátua do poeta...