sexta-feira, novembro 17, 2006

Ainda em «Desassossego»...



(Jardim da Estrela, Lisboa)

«Sou, em grande parte, a mesma prosa que escrevo. Desenrolo-me em períodos e parágrafos, faço-me pontuações, e, na distribuição desencadeada das imagens, visto-me, como as crianças, de rei com papel de jornal, ou, no modo como faço ritmo de uma série de palavras, me touco, como os loucos de flores secas que continuam vivas nos meus sonhos. E, acima de tudo, estou tranquilo, como um boneco de serradura que, tomando consciência de si mesmo, abanasse de vez em quando a cabeça para que o guizo no alto do boné em bico (parte integrante da mesma cabeça) fizesse soar qualquer coisa, vida tinida do morto, aviso mínimo ao Destino.»

(Fragmento do Livro do Desassossego/Fernando Pessoa)

5 comentários:

Manuel disse...

Este diálogo é imenso e sempre bem harmonioso. Bjinho

a rasar o ceu disse...

belo



belíssimo




in.sossego!








beijo!

hfm disse...

Sempre que o releio ainda não li tudo.

Anónimo disse...

Cada vez que publicas fotos do Jardim da Estrela, sobe-me uma nostalgia por voltar lá. Tenho de combinar um encontro contigo no jardim.
Bjs
Teresa David

T. disse...

Quando quiseres Teresinha...