sexta-feira, fevereiro 23, 2007

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(Miradouro da Graça)


Outra vez te revejo - Lisboa e Tejo e tudo -,
Transeunte inútil de ti e de mim,
Estrangeiro aqui como em toda a parte,
Casual na vida como na alma,
Fantasma a errar em salas de recordações,
Ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem
No castelo maldito de ter que viver...

Outra vez te revejo.
Sombra que passa através de sombras, e brilha
Um momento a uma luz fúnebre desconhecida,
E entra na noite como um rastro de barco se perde
Na água que deixa de se ouvir...

Outra vez te revejo,
Mas, ai, a mim não me revejo!
Partiu-se o espelho mágico em que me revia idêntico,
E em cada fragmento fatídico vejo só um bocado de mim -
Um bocado de ti e de mim!...

(fragmento de «Lisbon revisited»/Fernando Pessoa)

2 comentários:

M. disse...

Fabuloso este conjunto!

Diafragma disse...

que coincidência engraçada, estivémos no mesmo sítio e ambos nos lembrámos do Pessoa. Só que esta está uma maravilha de luz, de mistério, e... tem presença humana.