sábado, fevereiro 24, 2007

Roupa estendida ao vento





(Alfama)


Roupa estendida ao vento
Parece gente a viver
Move-se em gesto sem tento
Perante o meu pensamento
Que não sabe senão ver.

Mas o que fazem no mundo
Os homens nos gestos seus
Nada é mais firme ou profundo
Que este ar nas roupas ao fundo
Dos grandes quintais de Deus.

....

(Fernando Pessoa)

5 comentários:

merdinhas disse...

Nem sempre comento. mas passo. como o dito vento.

M. disse...

Lindo!

isabel mendes ferreira disse...

mas que fantástico....


beijo.


sempre e a cada dia mais fascinada------

!!!!!!!!!!!

Bia disse...

Já há algum tempo que aprecio estas fotos de roupa estendida de um modo tão peculiar português, neste caso lisboeta;Também sei quanto isso fascina os turistas estrangeiros. Fui pensando... será que não encontro nada no meu baú de leituras?...O poema que está a legendar está muito bem escolhido, sem dúvida nenhuma.
Mas encontrei num livro que gosto de reler('O Meu Pé de Laranja Lima')uma passagem que faço questão de compartilhar.
«(...)Cantar era bonito. Totoca sabia fazer outra coisa além de cantar, assobiar.Mas eu por mais que imitasse não saía nada. (...)Mas como eu não podia cantar por fora, fui cantando por dentro. (...) E eu estava me lembrando de uma música que Mamãe cantava quando eu era bem pequenininho. Ela ficava no tanque, com um pano amarrado na cabeça para tapar o sol. Tinha um avental amarrado na barriga e ficava horas e horas metendo a mão na água, fazendo sabão virar muita espuma. Depois torcia a roupa e ia até á corda. Prendia tudo na corda e suspendia o bambú. Ela fazia igualzinho com todas as roupas.(...)»
Emociona-me sempre tanto esse livro,que só me apetece dizer como a Margarida Pinto Correia no seu programa radiofónico (A Idade da Inocência) 'Passamos por lá, estivemos lá, é tudo real.'

Até breve!

Itagyba disse...

Simplesmente lindas as suas fotos!!!
Foi um presente para os meus sentidos!