sexta-feira, junho 08, 2007




Elevou-se então uma árvore. Ó, puro elevamento!
Ó, Orfeu canta! Ó, alta árvore no ouvido!
E tudo se calou! Porém no próprio silenciamento
era novo começo, aceno e mudança que acontecia.

Animais de silêncio avançavam da floresta
clara e aberta deixando covil e ninho;
e mostrou-se então que não era por astúcia
nem por medo que em si estavam tão calados,

mas por ouvirem. Rugido, grito, bramido
parecia pequeno em seus corações. E lá onde
mal havia uma cabana para isso acolher,

um abrigo feito do mais obscuro anseio,
com uma entrada cujas ombreiras tremem, -
aí lhes criaste templo na escuta.


(R. M. Rilke)

2 comentários:

Aldina Duarte disse...

Como é bom ter uma árvore no ouvido a soar bem juntinho ao coração!

Até sempre

MCA disse...

Teresa
Que é feito? Dá notícias. Bj